Vejo pessoas, vejo atitudes, vejo olhares, vejo sensações, vejo citações
Dentre tudo o que vejo,
observo o desespero, o sofrimento, a dor, a dúvida
Dentre as coisas que observo,
sinto um pesar, uma insegurança, uma ferida que não sei qual é a cura.
Esta
ferida veio, não foi de repente,
veio geração após geração, ano após ano, dia após dia, hora após hora
Parece que ela é
cutucada cada vez que ligo a televisão, escuto o rádio ou vejo a internet.
Tem dúvida?
Minha ferida
vem do tempo que passa e o mundo piora a medida que muitos dizem melhorar.
Minha ferida
vem do céu que não é mais azul ao pôr do sol devido a poluição
Ela
vem do calor excessivo dos dias de verão
Ela
vem da chuva ácida, vem
do ar contaminado,
das águas sujas e impróprias para meu uso
Minha ferida
Ela parece ainda maior, quando vejo
terremotos e rios transbordando
Casas
desmoronando e pessoas
morrendo
Ela parece
nunca se fechar quando vejo pais que
matam filhos e filhos que matam os pais
Violência em colégios que seriam lugares de aprendizado
O número que pessoas que se perdem ao entrar no mundo sem recompensa do tráfico e dos roubos
Ainda mais quando ela nota que
nada certo é feito
Ela começa a cicatrizar quando vê projetos de pessoas que querem o bem
Mas
logo se abre novamente quando vê que tudo fica pela metade
Quando vê que os
bom ideais não podem se juntar a imundice da política,
pois esses ideais acabam com seus
corpos frios e escondidos.
Quero fechar os olhos e quando abri-los, não mais ver o que abre minha ferida.
Quero que minha ferida tenha
cura e quero que ela não volte
Sei que não é possível, pois a tendência é piorar
O que faço então, é
procurar refúgio em palavras,
Em pessoas e pedaços de paraíso perdidos num mundo ainda não tomados por ela.
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